sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Mais do mesmo


Vamos falar de pesticidas e de tragédias radioativas, de doenças incuráveis, vamos falar de minha vida (Renato Russo). Engraçado, quando se é criança sempre temos um ídolo, aquele artista/cantor/banda que defendemos com toda nossa garra. Enquanto todas as menininhas idolatravam grupos como “Sorriso Maroto” e “Jeito Moleque”, lá estava eu achando que Legião Urbana era a coisa mais rock ‘n’ roll surgida no Brasil, e, por conseqüente, Renato Russo nosso maior poeta. Não me julguem, eu tina 10 anos, uma criança.
Depois de nove anos descobri bandas brazucas bem melhores. Mil vezes melhores. Mas não tiraram o mérito e a magia daquela banda cujos pôsteres forravam meu quarto, e as letras, todo e qualquer caderno meu.
E tinha uma música pra cada momento. Morei numa praia por um tempo, gostava de andar sozinha pela orla, logo, “vento no litoral” era a música ouvida durante esta atividade. Uma paixão não correspondida? “Quem Inventou o Amor?” por alguns dias ajudava a desencanar. A descoberta da sexualidade? “Meninos e Meninas” cantada em voz alta pra que todos de casa recebessem a indireta. Agora tem uma, que ahhh, se ouvir em qualquer lugar eu desmorono... “Clarisse”. Esta era a música pros piores dias, essa era a música que fazia eco entre as paredes do banheiro, era a música que me arrancava lágrimas, que me arrancava sangue. Muito sangue.
Eu sentia, no fundo da minha alma, que cada uma daquelas músicas era feita pra mim. Deus sabe quantas vezes sonhei com o RR. A sua biografia? Sabia na ponta da língua, poderia conta-lá de trás pra frente se quisesse. Era um fanatismo mesmo, mas daqueles fanatismos que só crianças sabem ter.
Ainda guardo os pôsteres e quadros empoeirados em alguma gaveta. Os CDs e discos ficam de fácil acesso, caso queira sentir de novo algum sentimento perdido lá naqueles anos. Anos estes em que meu  problema maior se resumia em convencer minha mãe de que não faria diferença lavar a louça após a janta ou no outro dia, antes do café. Alguém me vê uma máquina do tempo, por favor? 

domingo, 6 de novembro de 2011

Girl afraid...

Duas tentativas de suicídio. Que monte de merda eu me tornei que nem dar fim a minha própria vida eu consigo? Talvez faltasse uma real vontade, talvez meu corpo estivesse gritando pra mim: “- hey cara, a vida pode ser legal, tenta mais um pouco”.
 Talvez.
A minha história com a depressão é de longa data, lembro-me de aos seis anos passar madrugadas chorando por medo de que não estivesse tirando da vida tudo que ela poderia me dar, de sentir o peito apertado por aflições tão inocentes que só mesmo uma criança seria capaz de ter. Hoje quando isso acontece me sinto aquela menina de novo. Cada madrugada acordada é uma volta à infância.
Eu tinha um costume pra driblar a carência. Aliás, carência é outro sentimento que me acompanha fielmente. O costume era distribuir ursinhos de pelúcia pela cama e dormir entre eles. Eles me protegiam. Tenho sérios problemas em dormir sozinha.
Fui morar com o meu namorado, problema resolvido. Mas ele viaja sempre, cria-se um novo problema.
Os dias de dormir sozinha são os piores, me encho de remédios, se tiver bebida então, melhor. Faço de tudo pra apagar e ter a sensação de que o tempo está passando. Mas essas porras desses remédios acabam com a minha memória curta, a ponto de não conseguir distinguir um dia do outro, de me perder no calendário, de se arrumar pra faculdade num domingo, merda de pílula da felicidade. Felicidade o caralho. Felicidade sintética.
Eu não sou linear, nunca fui. Não sei criar histórias com seqüências cronológicas, não sei descrever um filme, não sei escrever um livro. Não sei a formula do “começo, meio e fim”. E mesmo assim mantenho a expectativa de que fazendo faculdade vou conseguir mudar isso. Criança ingênua.
Eu queria ter rotina.
Sabe, essa rotina de todo mundo, acordar, café, trabalho, almoço, trabalho, janta, assistir alguma merda na TV e dormir. Eu queria, juro. Mas eu mal consigo almoçar todo dia no mesmo horário, imagine o resto. Quantas vezes almoço às 17h da tarde... Eu sou uma vagal.
Carrego sempre a sensação de que estou perdendo algo, me odeio por não ver o nascer do sol todos os dias. Nascer do sol é algo foda, transcendental mesmo, pena que é tão cedo. E se tem algo que eu não gosto é acordar cedo. Na verdade não gosto de ter horário pra acordar, independentemente de ser cedo ou não. Taí, o nascer do sol deveria ser ao meio dia. Perfeito.
Anseio toscamente viver uma vida digna de filme. Eu divido as pessoas entre aquelas que seriam filmes premiados no festival de Cannes e aquelas que passariam na sessão da tarde. Arrogante. Eu sou arrogante. Acho que a essa altura não preciso dizer que tipo de filme quero ser.
São sete horas da manhã, há muito tempo não vivo este horário. Vou parar por aqui, tem um sol lindo nascendo que este ano ainda não vi. Talvez eu volte a escrever aqui, talvez esse seja o único post que esse blog vai ter.
Talvez.